sexta-feira, 19 de setembro de 2008

ERA VARGAS (1930 – 1945)

SEGUNDA PARTE
O GOVERNO CONSTITUCIONAL DE VARGAS (1934 – 1937)

Mesmo durante um regime constitucional, Getúlio Vargas não abandonou suas características. Alinhado com tendências políticas emergentes na Europa, o presidente tendia ao radicalismo dos regimes fascistas de Mussolini, na Itália, e de Hitler, na Alemanha.
Seguindo a tendência internacional, surgiu no Brasil a Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de inspiração fascista, apoiada por grandes proprietários, empresários, elementos da classe média e oficiais das Forças Armadas. Seus defensores pregavam a criação, no Brasil, de um Estado integral, isto é, de uma ditadura nacionalista, de partido único. Seu líder, Plínio Salgado, tinha por lema Deus, Pátria e Família e representava os radicais defensores da propriedade privada, pregando a luta contra o avanço comunista.
Na mesma época e opondo-se aos integralistas, constituiu-se uma aliança de esquerda, a Aliança Nacional Libertadora (ANL), liderada pelo Partido Comunista do Brasil (PCB).
Além dos comunistas, a Aliança Nacional Libertadora agregava socialistas e liberais democratas, em geral membros da classe média, operários e membros das Forças Armadas. A organização pregava a reforma agrária, o estabelecimento de um governo popular-democrático, a nacionalização de empresas estrangeiras e o cancelamento do pagamento da dívida externa.
A ANL cresceu rapidamente em todo o país. Apesar de sua popularidade, um julho de 1935 o governo de Getúlio declarou-a ilegal com base na Lei de Segurança Nacional. Em novembro de 1935, os comunistas, sob a liderança de Luís Carlos Prestes, tentaram promover uma revolução, a chamada Intentona Comunista. Desencadeada em Natal, Recife e Rio de Janeiro, foi rapidamente sufocada pelo governo federal, que decretou estado de sítio no país. Muitos líderes foram perseguidos, presos e torturados.

A implantação do Estado Novo (1937)

O poder de Getúlio Vargas continuou ampliando-se. O estado de sítio, renovado constantemente pelo Congresso, manteve-se durante o ano de 1936 e início de 1937.
Em 1937, teve início a campanha eleitoral para a sucessão do presidente, para a qual se apresentaram três candidatos: o ex-governador de São Paulo, Armando de Sales Oliveira, apoiado pelas elites paulistas; o escritor paraibano José Américo de Almeida, aparentemente apoiado pelo presidente; o líder integralista Plínio Salgado.
Getúlio, todavia, não estava disposto a deixar a presidência. Com dois chefes militares, generais Eurico Gaspar Dutra e Góis Monteiro, arquitetou um golpe de Estado. A intenção era conseguir o apoio de setores sociais temerosos com o avanço da esquerda.
Para justificar o golpe, foi divulgado um plano, segundo o qual os comunistas planejavam tomar o poder, assassinar as principais lideranças políticas do país e incendiar as igrejas.
O Plano Cohen, como ficou conhecido por ser assinado por uma pessoa de nome Cohen, era na verdade uma farsa: fora forjado por alguns militares integralistas, desejosos da instalação de um regime ditatorial de direita.
A suposta ameaça comunista garantiu mais uma vez a prorrogação do estado de sítio. Muitos opositores foram presos e a imprensa sofreu violenta censura. Em novembro de 1937, Getúlio determinou o fechamento do Congresso Nacional e dos legislativos estaduais e municipais, suspendeu a realização das eleições presidenciais, extinguiu os partidos políticos, revogou a Constituição de 1934 e outorgou uma nova Carta constitucional. Inaugurava-se, assim, o período detatorial de seu governo, chamado de Estado Novo.



O ESTADO NOVO (1937 – 1945)

A centralização político-administrativa
A Constituição, outorgada imediatamente após o golpe, havia sido elaborada por um único jurista, o ministro da Justiça Francisco Campos. Devido à semelhança de boa parte de seus artigos com a Carta fascista da Polônia, foi chamada de Polaca. Nela, o poder político concentrava-se completamente nas mãos do presidente da República. A Constituição de 1937, porém, nunca chegou a entrar plenamente em vigor, pois precisava ser referendada por um plebiscito que nunca ocorreu. Enquanto isso, segundo a Constituição, o presidente podia governar por meio de decretos-lei. Foi o que Vargas fez nos sete anos seguintes.
Para controlar o aparelho do Estado foi criado o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). No nível estadual, Vargas impôs os interventores.


Poder e propaganda
Em 1931, durante o Governo Provisório, Getúlio criou o Departamento Oficial de Publicidade e, em 1934, o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC). No início de 1938, esse órgão transformou-se no Departamento Nacional de Propaganda (DNP), que finalmente deu lugar, em dezembro de 1939, ao Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), encarregado da censura dos meios de comunicação (rádio, jornais, livros, cinema). Outra função importante do DIP era a divulgação de uma imagem positiva do Estado Novo, para garantir o apoio da opinião pública.
Utilizando-se da grande audiência do rádio nesse período, o governo lançou o programa Hora do Brasil e encampou a Rádio Nacional. Para divulgar a ideologia do governo, fez uso ainda da imprensa e do cinema, bem como da organização de diversas manifestações públicas em dias comemorativos. Um dos principais exemplos dessa política são as festas organizadas no Primeiro de Maio, data comemorativa dos trabalhadores.
Nos estados, o governo proibiu a utilização de bandeiras, hinos e outros símbolos que não fossem os nacionais.
Por meio desses mecanismos, o governo buscava criar uma identidade nacional, marcada pela idéia de “abrasileiramento”, de mestiçagem e convivência fraterna de diferentes povos e culturas. Exemplos dessa política são a instituição de novas datas cívicas como o Dia da Raça, a oficialização da capoeira como esporte nacional, a exaltação do samba como ritmo brasileiro por excelência e o fortalecimento de Nossa Senhora da Conceição Aparecida como padroeira do Brasil, tão mestiça como a maioria dos brasileiros.

Repressão
Contra os opositores do regime, Vargas ampliou os poderes das forças repressivas, especialmente da polícia política comandada por Filinto Muller. Chefe da Polícia Federal, Muller era notório admirador do III Reich e mantinha estreitas relações com os integralistas e a embaixada alemã.
Perseguições por parte do governo foram constantes, particularmente a intelectuais contrários ao regime, como o historiador Caio Prado Jr., o pintor Di Cavalcanti e os escritores Graciliano Ramos, Jorge Amado e Érico Veríssimo. Ocorreram também milhares de prisões, torturas e maus-tratos aos trabalhadores e líderes sindicais. A eliminação de pessoas não era fato raro.
Até mesmo as associações de extrema direita, que davam apoio à ditadura Vargas, não ficaram imunes à repressão do Estado Novo. Em dezembro de 1937, Vargas decretou o fechamento da AIB, juntamente com todas as demais organizações partidárias do país. Os integralistas romperam com Vargas, tentando um golpe de Estado em 1938, atacando o palácio do Catete, sede governamental no Rio de Janeiro. O golpe integralista foi rapidamente sufocado.

Direitos trabalhistas
No plano trabalhista, Vargas aprovou novas leis de regulamentação, como o salário mínimo. Reuniu ainda toda a legislação trabalhista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Com várias modificações, a CLT regulamenta até hoje as relações entre patrões e empregados no país. Tais medidas agradavam grande parte dos trabalhadores, mas impunham limitações aos movimentos trabalhistas quanto às possibilidades de reivindicar ou discutir qualquer tipo de mudança na área do trabalho ou da política social.
Com a concessão das leis trabalhistas, Vargas estabeleceu ao longo de todo o seu governo um rígido controle sobre os sindicatos, submetendo-os ao Ministério do Trabalho e impondo-lhes lideranças fiéis ao regime, apelidadas de pelegos. Assim como a pele de lã usada sobre o cavalo, os pelegos eram responsáveis por amortecer as pressões dos trabalhadores.

O intervencionismo estatal na economia
Durante o Estado Novo, a economia brasileira modernizou-se e diversificou-se. Na agricultura o governo obteve êxito na aplicação da política de valorização do café, com a queima dos excedentes e a fixação de taxas de exportação. Em outros setores agrícolas, o incentivo governamental propiciou o aumento da produção e a diversificação dos cultivos.
A indústria teve um impulso considerável, especialmente a partir de 1940. o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, dificultou as importações, incentivando mais uma vez o processo de substituição dos produtos importados por nacionais. O intenso apoio governamental, por sua vez, estimulou a implantação de novas fábricas, a ampliação das já existentes e a montagem de uma indústria de base estatal.
Nesse último setor, destacam-se a formação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, montada com auxílio do capital norte-americano; e a Companhia Vale do Rio Doce, criada para obter matéria-prima destinada à indústria pesada. Surgiram assim grandes empresas estatais para garantir o suprimento de produtos indispensáveis ao desenvolvimento dos demais setores industriais.
Preocupado com as fontes de energia para movimentar o parque industrial, o governo criou ainda o Conselho Nacional do Petróleo. O órgão deveria controlar a exploração e fornecimento desse produto e seus derivados. O primeiro poço petrolífero foi perfurado na Bahia, em 1939.





O Brasil na Segunda Guerra Mundial

No início da Segunda Guerra Mundial o governo brasileiro adotou uma posição de neutralidade. Não manifestou seu apoio nem aos Aliados nem aos países do Eixo, apesar de mostrar clara simpatia pelos regimes fascistas.
A posição de neutralidade do Brasil garantiu vantagens comerciais e a obtenção de empréstimos junto aos países beligerantes. Porém, a pressão norte-americana alterou a decisão do governo brasileiro. Em janeiro de 1942, o Brasil rompeu relações com os países do Eixo. A declaração de guerra contra a Alemanha veio em agosto do mesmo ano, quando os alemães afundaram vários navios brasileiros, o que resultou na morte de 607 tripulantes.
Em 1944, foram enviadas dezenas de milhares de pessoas para lutar na Europa. Além de uma esquadrilha da Força Aérea Brasileira (FAB), seguiram soldados que compunham a Força Expedicionária Brasileira (FEB), integrada ao V Exército Norte-Americano. Os soldados brasileiros tiveram destaque na campanha da Itália, obtendo significativas vitórias em Monte Castelo, Castelnuovo e Montese.

A queda de Vargas

A participação do Brasil na luta contra os regimes ditatoriais criou uma contradição que acabou por enfraquecer as bases do Estado Novo. Os brasileiros lutavam contra os nazi-fascistas, enquanto mantinham um regime ditatorial. A oposição à ditadura de Vargas, que mesmo antes da entrada na guerra se fortalecia, ganhou espaço, com a realização de diversas manifestações pela democratização do país.
Em outubro de 1943, políticos e empresários de Minas Gerais publicaram o Manifesto dos Mineiros, em que exigiam a democratização do país. Pouco depois, Vargas estabeleceu a data para a realização de eleições gerais: 2 de dezembro de 1945.
Até a derrota dos alemães, e conseqüentemente do totalitarismo, em maio de 1945, efetivaram-se no Brasil diversas conquistas democráticas, como a libertação de presos políticos e o retorno de exilados. Foram organizados também novos partidos para a disputa eleitoral, entre os quais se destacavam:

· UDN (União Democrática Nacional): reunia principalmente industriais, banqueiros, grandes proprietários, membros da classe média e da imprensa. Para as eleições presidenciais, a UDN lançou a candidatura do ex-tenentista brigadeiro Eduardo Gomes;

· PSD (Partido Social-Democrático): formado basicamente por industriais, banqueiros e grandes proprietários que apoiavam Getúlio;

· PTB (Partido Trabalhista Brasileiro): compunha-se, fundamentalmente, de setores do movimento sindical ligados a Getúlio Vargas. A coligação PTB-PSD lançou a candidatura do ex-ministro general Eurico Gaspar Dutra;

· PCB (Partido Comunista Brasileiro): retirado da ilegalidade, agregava os movimentos de esquerda. Tinha como candidato à presidência Yedo Fiúza.

O processo de abertura política e o da Segunda Guerra Mundial acirraram as disputas políticas. Alguns setores da sociedade, especialmente os udenistas, desejavam a saída imediata de Vargas, para a livre realização das eleições e a elaboração de uma nova Constituição. Outros setores, entre eles os comunistas, defendiam esse mesmo processo, mas sob o comando de Vargas. Lançaram, assim, um movimento de apoio ao presidente, que recebeu o nome de Queremismo, pois seu lema era Queremos Getúlio.
A 29 de outubro de 1945, porém, as Forças Armadas lideradas pelos generais Góes Monteiro e Dutra cercaram o palácio do Catete, a sede do governo, e obrigaram Getúlio a renunciar à presidência. Em seu lugar assumiu o ministro do Supremo Tribunal Eleitoral, José Linhares, que garantiu a realização das eleições na data prevista, as quais foram vencidas por Eurico Gaspar Dutra.

ERA VARGAS (1930 – 1945)

SEGUNDA PARTE
O GOVERNO CONSTITUCIONAL DE VARGAS (1934 – 1937)


Mesmo durante um regime constitucional, Getúlio Vargas não abandonou suas características. Alinhado com tendências políticas emergentes na Europa, o presidente tendia ao radicalismo dos regimes fascistas de Mussolini, na Itália, e de Hitler, na Alemanha.
Seguindo a tendência internacional, surgiu no Brasil a Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de inspiração fascista, apoiada por grandes proprietários, empresários, elementos da classe média e oficiais das Forças Armadas. Seus defensores pregavam a criação, no Brasil, de um Estado integral, isto é, de uma ditadura nacionalista, de partido único. Seu líder, Plínio Salgado, tinha por lema Deus, Pátria e Família e representava os radicais defensores da propriedade privada, pregando a luta contra o avanço comunista.
Na mesma época e opondo-se aos integralistas, constituiu-se uma aliança de esquerda, a Aliança Nacional Libertadora (ANL), liderada pelo Partido Comunista do Brasil (PCB).
Além dos comunistas, a Aliança Nacional Libertadora agregava socialistas e liberais democratas, em geral membros da classe média, operários e membros das Forças Armadas. A organização pregava a reforma agrária, o estabelecimento de um governo popular-democrático, a nacionalização de empresas estrangeiras e o cancelamento do pagamento da dívida externa.
A ANL cresceu rapidamente em todo o país. Apesar de sua popularidade, um julho de 1935 o governo de Getúlio declarou-a ilegal com base na Lei de Segurança Nacional. Em novembro de 1935, os comunistas, sob a liderança de Luís Carlos Prestes, tentaram promover uma revolução, a chamada Intentona Comunista. Desencadeada em Natal, Recife e Rio de Janeiro, foi rapidamente sufocada pelo governo federal, que decretou estado de sítio no país. Muitos líderes foram perseguidos, presos e torturados.

A implantação do Estado Novo (1937)

O poder de Getúlio Vargas continuou ampliando-se. O estado de sítio, renovado constantemente pelo Congresso, manteve-se durante o ano de 1936 e início de 1937.
Em 1937, teve início a campanha eleitoral para a sucessão do presidente, para a qual se apresentaram três candidatos: o ex-governador de São Paulo, Armando de Sales Oliveira, apoiado pelas elites paulistas; o escritor paraibano José Américo de Almeida, aparentemente apoiado pelo presidente; o líder integralista Plínio Salgado.
Getúlio, todavia, não estava disposto a deixar a presidência. Com dois chefes militares, generais Eurico Gaspar Dutra e Góis Monteiro, arquitetou um golpe de Estado. A intenção era conseguir o apoio de setores sociais temerosos com o avanço da esquerda.
Para justificar o golpe, foi divulgado um plano, segundo o qual os comunistas planejavam tomar o poder, assassinar as principais lideranças políticas do país e incendiar as igrejas.
O Plano Cohen, como ficou conhecido por ser assinado por uma pessoa de nome Cohen, era na verdade uma farsa: fora forjado por alguns militares integralistas, desejosos da instalação de um regime ditatorial de direita.
A suposta ameaça comunista garantiu mais uma vez a prorrogação do estado de sítio. Muitos opositores foram presos e a imprensa sofreu violenta censura. Em novembro de 1937, Getúlio determinou o fechamento do Congresso Nacional e dos legislativos estaduais e municipais, suspendeu a realização das eleições presidenciais, extinguiu os partidos políticos, revogou a Constituição de 1934 e outorgou uma nova Carta constitucional. Inaugurava-se, assim, o período detatorial de seu governo, chamado de Estado Novo.



O ESTADO NOVO (1937 – 1945)

A centralização político-administrativa
A Constituição, outorgada imediatamente após o golpe, havia sido elaborada por um único jurista, o ministro da Justiça Francisco Campos. Devido à semelhança de boa parte de seus artigos com a Carta fascista da Polônia, foi chamada de Polaca. Nela, o poder político concentrava-se completamente nas mãos do presidente da República. A Constituição de 1937, porém, nunca chegou a entrar plenamente em vigor, pois precisava ser referendada por um plebiscito que nunca ocorreu. Enquanto isso, segundo a Constituição, o presidente podia governar por meio de decretos-lei. Foi o que Vargas fez nos sete anos seguintes.
Para controlar o aparelho do Estado foi criado o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). No nível estadual, Vargas impôs os interventores.


Poder e propaganda
Em 1931, durante o Governo Provisório, Getúlio criou o Departamento Oficial de Publicidade e, em 1934, o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC). No início de 1938, esse órgão transformou-se no Departamento Nacional de Propaganda (DNP), que finalmente deu lugar, em dezembro de 1939, ao Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), encarregado da censura dos meios de comunicação (rádio, jornais, livros, cinema). Outra função importante do DIP era a divulgação de uma imagem positiva do Estado Novo, para garantir o apoio da opinião pública.
Utilizando-se da grande audiência do rádio nesse período, o governo lançou o programa Hora do Brasil e encampou a Rádio Nacional. Para divulgar a ideologia do governo, fez uso ainda da imprensa e do cinema, bem como da organização de diversas manifestações públicas em dias comemorativos. Um dos principais exemplos dessa política são as festas organizadas no Primeiro de Maio, data comemorativa dos trabalhadores.
Nos estados, o governo proibiu a utilização de bandeiras, hinos e outros símbolos que não fossem os nacionais.
Por meio desses mecanismos, o governo buscava criar uma identidade nacional, marcada pela idéia de “abrasileiramento”, de mestiçagem e convivência fraterna de diferentes povos e culturas. Exemplos dessa política são a instituição de novas datas cívicas como o Dia da Raça, a oficialização da capoeira como esporte nacional, a exaltação do samba como ritmo brasileiro por excelência e o fortalecimento de Nossa Senhora da Conceição Aparecida como padroeira do Brasil, tão mestiça como a maioria dos brasileiros.

Repressão
Contra os opositores do regime, Vargas ampliou os poderes das forças repressivas, especialmente da polícia política comandada por Filinto Muller. Chefe da Polícia Federal, Muller era notório admirador do III Reich e mantinha estreitas relações com os integralistas e a embaixada alemã.
Perseguições por parte do governo foram constantes, particularmente a intelectuais contrários ao regime, como o historiador Caio Prado Jr., o pintor Di Cavalcanti e os escritores Graciliano Ramos, Jorge Amado e Érico Veríssimo. Ocorreram também milhares de prisões, torturas e maus-tratos aos trabalhadores e líderes sindicais. A eliminação de pessoas não era fato raro.
Até mesmo as associações de extrema direita, que davam apoio à ditadura Vargas, não ficaram imunes à repressão do Estado Novo. Em dezembro de 1937, Vargas decretou o fechamento da AIB, juntamente com todas as demais organizações partidárias do país. Os integralistas romperam com Vargas, tentando um golpe de Estado em 1938, atacando o palácio do Catete, sede governamental no Rio de Janeiro. O golpe integralista foi rapidamente sufocado.

Direitos trabalhistas
No plano trabalhista, Vargas aprovou novas leis de regulamentação, como o salário mínimo. Reuniu ainda toda a legislação trabalhista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Com várias modificações, a CLT regulamenta até hoje as relações entre patrões e empregados no país. Tais medidas agradavam grande parte dos trabalhadores, mas impunham limitações aos movimentos trabalhistas quanto às possibilidades de reivindicar ou discutir qualquer tipo de mudança na área do trabalho ou da política social.
Com a concessão das leis trabalhistas, Vargas estabeleceu ao longo de todo o seu governo um rígido controle sobre os sindicatos, submetendo-os ao Ministério do Trabalho e impondo-lhes lideranças fiéis ao regime, apelidadas de pelegos. Assim como a pele de lã usada sobre o cavalo, os pelegos eram responsáveis por amortecer as pressões dos trabalhadores.

O intervencionismo estatal na economia
Durante o Estado Novo, a economia brasileira modernizou-se e diversificou-se. Na agricultura o governo obteve êxito na aplicação da política de valorização do café, com a queima dos excedentes e a fixação de taxas de exportação. Em outros setores agrícolas, o incentivo governamental propiciou o aumento da produção e a diversificação dos cultivos.
A indústria teve um impulso considerável, especialmente a partir de 1940. o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, dificultou as importações, incentivando mais uma vez o processo de substituição dos produtos importados por nacionais. O intenso apoio governamental, por sua vez, estimulou a implantação de novas fábricas, a ampliação das já existentes e a montagem de uma indústria de base estatal.
Nesse último setor, destacam-se a formação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, montada com auxílio do capital norte-americano; e a Companhia Vale do Rio Doce, criada para obter matéria-prima destinada à indústria pesada. Surgiram assim grandes empresas estatais para garantir o suprimento de produtos indispensáveis ao desenvolvimento dos demais setores industriais.
Preocupado com as fontes de energia para movimentar o parque industrial, o governo criou ainda o Conselho Nacional do Petróleo. O órgão deveria controlar a exploração e fornecimento desse produto e seus derivados. O primeiro poço petrolífero foi perfurado na Bahia, em 1939.





O Brasil na Segunda Guerra Mundial

No início da Segunda Guerra Mundial o governo brasileiro adotou uma posição de neutralidade. Não manifestou seu apoio nem aos Aliados nem aos países do Eixo, apesar de mostrar clara simpatia pelos regimes fascistas.
A posição de neutralidade do Brasil garantiu vantagens comerciais e a obtenção de empréstimos junto aos países beligerantes. Porém, a pressão norte-americana alterou a decisão do governo brasileiro. Em janeiro de 1942, o Brasil rompeu relações com os países do Eixo. A declaração de guerra contra a Alemanha veio em agosto do mesmo ano, quando os alemães afundaram vários navios brasileiros, o que resultou na morte de 607 tripulantes.
Em 1944, foram enviadas dezenas de milhares de pessoas para lutar na Europa. Além de uma esquadrilha da Força Aérea Brasileira (FAB), seguiram soldados que compunham a Força Expedicionária Brasileira (FEB), integrada ao V Exército Norte-Americano. Os soldados brasileiros tiveram destaque na campanha da Itália, obtendo significativas vitórias em Monte Castelo, Castelnuovo e Montese.

A queda de Vargas

A participação do Brasil na luta contra os regimes ditatoriais criou uma contradição que acabou por enfraquecer as bases do Estado Novo. Os brasileiros lutavam contra os nazi-fascistas, enquanto mantinham um regime ditatorial. A oposição à ditadura de Vargas, que mesmo antes da entrada na guerra se fortalecia, ganhou espaço, com a realização de diversas manifestações pela democratização do país.
Em outubro de 1943, políticos e empresários de Minas Gerais publicaram o Manifesto dos Mineiros, em que exigiam a democratização do país. Pouco depois, Vargas estabeleceu a data para a realização de eleições gerais: 2 de dezembro de 1945.
Até a derrota dos alemães, e conseqüentemente do totalitarismo, em maio de 1945, efetivaram-se no Brasil diversas conquistas democráticas, como a libertação de presos políticos e o retorno de exilados. Foram organizados também novos partidos para a disputa eleitoral, entre os quais se destacavam:

· UDN (União Democrática Nacional): reunia principalmente industriais, banqueiros, grandes proprietários, membros da classe média e da imprensa. Para as eleições presidenciais, a UDN lançou a candidatura do ex-tenentista brigadeiro Eduardo Gomes;

· PSD (Partido Social-Democrático): formado basicamente por industriais, banqueiros e grandes proprietários que apoiavam Getúlio;

· PTB (Partido Trabalhista Brasileiro): compunha-se, fundamentalmente, de setores do movimento sindical ligados a Getúlio Vargas. A coligação PTB-PSD lançou a candidatura do ex-ministro general Eurico Gaspar Dutra;

· PCB (Partido Comunista Brasileiro): retirado da ilegalidade, agregava os movimentos de esquerda. Tinha como candidato à presidência Yedo Fiúza.

O processo de abertura política e o da Segunda Guerra Mundial acirraram as disputas políticas. Alguns setores da sociedade, especialmente os udenistas, desejavam a saída imediata de Vargas, para a livre realização das eleições e a elaboração de uma nova Constituição. Outros setores, entre eles os comunistas, defendiam esse mesmo processo, mas sob o comando de Vargas. Lançaram, assim, um movimento de apoio ao presidente, que recebeu o nome de Queremismo, pois seu lema era Queremos Getúlio.
A 29 de outubro de 1945, porém, as Forças Armadas lideradas pelos generais Góes Monteiro e Dutra cercaram o palácio do Catete, a sede do governo, e obrigaram Getúlio a renunciar à presidência. Em seu lugar assumiu o ministro do Supremo Tribunal Eleitoral, José Linhares, que garantiu a realização das eleições na data prevista, as quais foram vencidas por Eurico Gaspar Dutra.

A REVOLUÇÃO DE 1930 E A ERA VARGAS


PRIMEIRA PARTE

A REVOLUÇÃO DE 1930

Abalado pela crise de 1929, o cenário brasileiro no final de década de 1920 não era promissor para a ordem oligárquica. A situação piorou quando Washington Luís negou-se a apoiar o candidato mineiro que deveria substituí-lo, optando pelo paulista Júlio Prestes. Rompia-se, assim, a política do café-com-leite.
A oposição ao governo federal aglutinou-se na Aliança Liberal, coalizão que reunia as oligarquias de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, atraindo ainda a simpatia de outros grupos sociais descontentes com o domínio dos cafeicultores. A Aliança Liberal lançou como candidato à presidência o gaúcho Getúlio Vargas, tendo como vice o paraibano João Pessoa.
No dia do pleito, a máquina eleitoral do governo funcionou novamente: com base nas fraudes e no voto de cabresto, conquistou a vitória para Júlio Prestes.
A oposição, reunida na Aliança Liberal, iniciou um movimento de repúdio ao resultado das eleições, mas, o fato que estimulou a eclosão do conflito foi o assassinato de João Pessoa, provocado por conflitos pessoais e locais na Paraíba.
No dia 3 de outubro de 1930, iniciou-se um movimento político-militar, preparado durante dois meses pelos políticos dissidentes e os tenentes derrotados nas eleições de 1930, que pôs fim à Primeira República. O movimento ficou consagrado na historiografia como Revolução de 1930, tal como foi divulgado por participantes e simpatizantes na época.
A revolta armada eclodiu simultaneamente em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul, sob liderança de Getúlio Vargas, e no Nordeste, sob o comando de Juarez Távora. Em menos de um mês o movimento era vitorioso em quase todo o país, restando apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pará sob controle do governo federal.
Diante dos acontecimentos, a Marinha e o Exército depuseram, no Rio de Janeiro, o presidente Washington Luís e organizaram um novo governo, denominado de Junta Pacificadora, composta por Tasso Fragoso, Mena Barreto e Isaías de Noronha.
O peso político de Getúlio Vargas e a pressão das forças revolucionárias obrigaram a Junta Pacificadora a entregar o poder a Getúlio em 3 de novembro de 1930. Tinha início, assim, um novo momento na história republicana brasileira, denominado pelas pessoas da época como República Nova, em oposição à República Velha dos coronéis e dos cafeicultores. Grande parte dos historiadores convencionaram, porém, chamar o novo período de Era Vargas.

A ERA VARGAS (1930-1945)

A Revolução de 1930 pôs fim à dominação tradicional da oligarquia cafeeira e instalou no poder uma coalizão de forças que aglutinava diferentes setores da sociedade brasileira. Getúlio Vargas recebeu o poder em caráter provisório, mas permaneceu nele até 1945, ora por meio constitucional ora como ditador.
Durante a Era Vargas, o presidente colocou-se como principal autoridade nacional. Habitualmente, soube atrair para si o apoio de vários grupos sociais e controlar as mais importantes decisões políticas, econômicas e sociais do país.
Grande parte dos tenentes foi incorporada ao governo; aqueles que defendiam reformas mais profundas acabaram presos e silenciados. Outros grupos a apoiar Vargas foram a burguesia industrial e a classe média urbana, interessados nos projetos desenvolvimentistas do governo. O mesmo fizeram as antigas oligarquias dissidentes, vislumbrando possibilidade de maior participação nas decisões governamentais, especialmente na área econômica.
Vargas pôde contar também com o apoio de parte do operariado. Por meio de ampla reforma trabalhista, forjou imagem positiva junto à população. Com as mudanças, as relações de trabalho passaram a ser gerenciadas pelo Estado. Isso fez com que o governo mantivesse controle maior sobre os movimentos sindicais, assim como os conflitos entre trabalhadores e patrões.
A própria oligarquia cafeeira acabou unida a Vargas, graças ao sucesso de sua política de valorização do café, adotada para amenizar os efeitos da crise mundial de 1929. O Estado comprava o estoque excedente do produto no mercado internacional. Entre 1930 e 1937 foram destruídos quase 80 milhões de sacas. O governo de Getúlio criou ainda órgãos de proteção a outros gêneros agrícolas, como o cacau, mate e álcool.
Em resumo, a Revolução de 1930 encerrou o controle político da oligarquia cafeeira, mas continuou a garantir a força econômica das elites. Manteve ainda os grupos de trabalhadores afastados do poder, a despeito de ter ampliado suas relações com o Estado.
A Era Vargas (1930-1945) pode ser dividida em três períodos:

· Governo Provisório (1930-1934);

· Governo Constitucional (1934-1937) e;

· Estado Novo (1937-1945)O GOVERNO PROVISÓRIO (1930-1934)

Ao assumir o poder em 1930, Getúlio Vargas suspendeu a Constituição em vigor, fechou o Congresso Nacional, as assembléias estaduais e câmaras municipais. Para o governo dos estados, nomeou pessoas de sua confiança, os chamados interventores, em geral tenentes. Pretendia, assim, estabelecer um controle total sobre o aparelho do Estado.
Criou ainda dois novos ministérios: o da Educação e Saúde Pública e o do Trabalho, Indústria e Comércio. Regulamentou direitos trabalhistas, como a limitação da jornada diária de trabalho a 8 horas, férias anuais remuneradas de 15 dias e o trabalho de mulheres e crianças.

A Revolução Constitucionalista de 1932

Perdendo o controle do poder político que desfrutara durante a República Oligárquica, os cafeicultores buscaram meios para recuperar a antiga posição. Concentrados em sua maioria no estado de São Paulo, eles chegaram a contar com o apoio da burguesia industrial paulista, defensora de uma nova Constituição para o país, já que a anterior havia sido suspensa. Esse grupo tinha sido responsável pela fundação, em 1926, do Partido Democrático.
As tensões entre paulistas e governo federal aumentaram com a nomeação de João Alberto Lins de Barros, tenente pernambucano, para interventor do estado. Em 1932, o Partido Republicano Paulista uniu-se ao Partido Democrático, formando a Frente Única Paulista (FUP).
Exercendo pressão sobre o governo, a FUP conseguiu a nomeação de um novo interventor, civil e paulista, Pedro Toledo. A partir daí, intensificaram as manifestações a favor da elaboração de uma nova Carta constitucional. Durante uma das manifestações morreram 4 estudantes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. As iniciais de seus nomes, MMDC, transformaram-se em símbolo da luta dos paulistas pela Constituição.
A 9 de julho de 1932, iniciou-se um movimento armado que visava depor o presidente Vargas. Mais de 200 mil homens alistaram-se nas forças constitucionalistas e algumas indústrias foram adaptadas para a produção de equipamentos de guerra. Centenas de mulheres costuraram bandeiras e uniformes para os soldados, enquanto a população doou ouro e jóias para a causa da revolução. O combate estendeu-se por 3 meses e terminou com a derrota dos paulistas.
Apesar da vitória sobre os constitucionalistas, Vargas adotou atitude conciliatória, convocando eleições para maio de 1933, com o objetivo de escolher os parlamentares que comporiam uma Assembléia Constituinte. A Revolução Constitucionalista, mesmo derrotada militarmente, atingiu assim seu objetivo: a elaboração de uma nova Constituição para o país.

A Constituição de 1934

Eleita a Assembléia Constituinte, os deputados iniciaram seus trabalhos em novembro de 1933, promulgando a nova Constituição em julho de 1934. Dentre suas principais características, destacam-se:

manutenção do regime federativo, presidencialista e dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário);

extinção do cargo de vice-presidente;

voto secreto e eleições diretas para os poderes Executivo e Legislativo da União, estados e municípios;

voto feminino;

presença de várias leis trabalhistas;

criação do mandado de segurança para defender o cidadão contra abusos do Estado;

ensino primário obrigatório e gratuito.


Terminada sua tarefa, a Assembléia Constituinte transformou-se no primeiro Congresso Nacional após a Revolução de 1930, tendo o direito de eleger o presidente da República. Getúlio Vargas foi o escolhido, para um mandato de 4 anos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Canadá: Aspectos Gerais.

Segundo maior país do mundo, perdendo em extensão apenas para a Federação Russa, o Canadá apresenta uma economia desenvolvida e diversificada. Ocupa o primeiro lugar entre os países com mais elevado índice de desenvolvimento humano do planeta, segundo relatório da ONU de 1997. Localizado entre os Estados Unidos e o Ártico, dispõe de reservas de petróleo importantes e é líder na produção mundial de zinco, urânio e alumínio, além de ter o solo rico em potássio, gás natural e níquel.
Foi colonizado inicialmente pela França, mas a Grã-Bretanha ganhou o controle do país em 1763. A dualidade lingüística e cultural continua até hoje e está na raiz de um dos problemas internos mais sérios: as reivindicações separatistas da província de Québec, que abriga dois terços dos canadenses de língua francesa. Em virtude das recentes imigrações, o país também tem colônias de asiáticos e europeus, que se juntam aos nativos indígenas e, no Ártico, aos Inuits, conhecidos como esquimós.
O Canadá é um país de baixa densidade populacional (população distribuída pelo território), com seus 32 milhões de habitantes (população inferior a do estado brasileiro de São Paulo) distribuídos em uma área de aproximadamente nove milhões de quilômetros quadrados, o que representa apenas 3,5 habitantes/km². Cerca de 75% de sua população vive no sul do país, mais exatamente, em uma faixa de aproximadamente 150 quilômetros de largura ao norte da fronteira sul do Canadá com os Estados Unidos, que se estende desde o Oceano Atlântico até o Oceano Pacífico, enquanto o norte do país é escassamente povoado devido ao seu clima inóspito.
No que tange à ocupação e ao uso do solo, o Canadá desponta como uma economia altamente competitiva atuando em quase todos os setores. Possui uma grande variedade de minerais e combustiveis fósseis encontrados em grande abundância, sendo esses explorados principalmente no planalto do Labrador e no escudo canadense, ocorrendo extração mineral também no domínio das Montanhas Rochosas, tornando assim, o país um dos maiores exportadores de matérias-primas. A abundância de recursos minerais impulsionou a industrialização do país, obtendo todos minerais metálicos e não metálicos (exceto bauxita). Com relação a este último metal, é curioso salientar que ele é a matéria-prima para produção de alumínio, sendo o Canadá o maior exportador mundial; e o Canadá é o maior exportador mundial de alumínio; isto pode ser explicado através do processo para sua aquisicão que se dá pela alta disponibilidade de energia para manufaturar, e neste quesito o país é altamente favorecido. Outro fator natural que beneficia a economia canadense, é a disponibilidade de matrizes energéticas que vão desde os combustíveis fosséis (carvão mineral, urânio e petróleo) ao pontecial hidráulico (usinas hidrelétricas - elas ocorrem principalmente na região dos grandes lagos e na bacia do rio São Lourenço, e nos rios que deságuam no oceano Pacífico).
O Canadá é o principal exportador de celulose e papel, mais uma vez se aproveitando da oferta de florestas de coníferas que recobrem um terço do país(,) e, aliado a essa oferta, a possibilitade de escoar essa produção a um custo praticamente zero até as fábricas com os troncos flutuando pelos rios (na região dos Grandes Lagos), otimizando a produção e barateando os custos.
O país se apresenta, num primeiro momento, alto suficiente no que tanje aos serviços, além de muito favorecido geograficamente, com recursos naturais quase que infinitos colocando-o em uma ótima situação. Isso se confirma principalmente pelo predomínio dos investimentos em setores de alta tecnologia, os investimentos de capital estadunidense nos setores de ponta e alta tecnologia, setores como o automoblístico, químico-farmacêutico (petroquímico), eletroeletrônico (máquinas). Na economia canadense ocorre uma separação por setores, ela funciona com os capitais locais (nacional) investidos nos setores tradicionais como o indústria extrativa, têxtil, alimentícia, etc – e outro com os capitais estrangeiros predominantemente dos setores mais custosos em investimento.
Atualmente, o Canadá desponta como membro do G7 (países mais ricos do mundo), porém sua industrilização se iniciou tardiamente e isso se deu pelo fato do país ter sido colônia até 1867. Sua decolagem industrial ocorreu no incio do século XX, depois da Primeira Guerra Mundial e o conflito enfraqueceu os vínculos comerciais com o Reino Unido. Esse fato abriu oportunidade para a penetração dos capitais estadunidenses na economia canadense, que pelo fato de serem próximos geograficamente e falarem praticamente o mesmo idioma, não foi dificil cruzar o estreito que separa a cidade de Detroit a Windsor.
Ocorreu imensa concentração de mancha urbana na região dos Grandes Lagos e do vale do São Lourenço, com o principal deslocamento se estendendo até o oceano Atlântico traçando um corredor fluvio-lacustre, não por acaso aí estão as indústrias de alta tecnologia do Canadá, onde se destacam as cidades de Toronto, Hamilton, Montreal, Québec, Windsor, etc. Na porção oeste se destaca o importante centro industrial e portuário do Pacífico, Vancouver, e cidades industriais no interior como Winnipeg e Edmonton.
Assim, com tamanha integração de parceiros comerciais, aliado à extensão geográfica e econômica, nada mais natural (será que é natural?) que a assinatura de um tratado comercial no qual fazem parte o Canadá, Estados Unido e o México. A criação do Nafta (North American Free Trade Agreement ou Acordo Norte-americano de Livre Comércio), criado em 1º de Janeiro de 1994, formalizou a forte integração econômica que já existia entre EUA e Canadá, posicionando o México em uma situação menos integrada ou secundária



Exercícios

1. Aponte as características geográficas do Canadá, relacionando suas vantagens e desvantagens? Cite um exemplo.
2. O Canadá é um país de dimensões continentais, porém sua população não está distruibuída igualmente pelo território. Aponte uma causa física e outra socioeconômica.
3. Quais são as matrizes energéticas do Canadá? Aponte a principal, que além do seu pontecial favorece outro uso.
4. Qual o principal parceiro comercial do Canadá, explique o inicio da parceria e que setores se beneficiam desta.
5. Onde está concetrada a mancha urbana industrial canadense, relacione essa ocupação com as parcerias comerciais.
6. O Canadá é um dos países com maior qualidade de vida do planeta, porém encontra problemas de ordem sociocultural sérios. Relacione estes com a formação do Canadá, fazendo um adendo com as parcerias comerciais.
7. Em linhas gerais, o Nafta é um acordo comercial entre os países da América do Norte. Qual é o papel do Canadá neste bloco. Sua inserção aumenta ou diminui a dependência dos capitais estadunidenses. Explique?

domingo, 31 de agosto de 2008

MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS INTERNACIONAIS

Os movimentos migratórios internacionais revelam geralmente as relações estreitas que existem entre crescimento demográfico e o desenvolvimento econômico. De fato, sempre que tivermos uma economia em crescimento, teremos uma demanda de mão-de-obra, que deveria ser satisfeita pelo próprio crescimento natural da população do país. O excedente de população ocorre quando o nível de crescimento da economia de um país não consegue criar empregos suficientes para abarcar o crescimento da população. Assim, a lógica da existência de países fornecedores de migrantes (fluxos emigratórios) e receptores de migrantes (fluxos imigratórios). Essa dinâmica tem como motor principal às desigualdades econômicas entre os países, pois, geralmente, os migrantes partem para outros lugares em busca de melhores oportunidades.
Essa é a perspectiva que até aqui haviam sido abordados pelos livros didáticos, a partir do ponto de vista dos fluxos econômicos e financeiros, onde as demandas migratórias acompanhavam o sentido destes fluxos, o que não deixa de existir ainda. Porém, sobre um novo ponto de vista, atualmente, se observa um verdadeiro êxodo, de proporções bíblicas, que leva populações, maiores que a de muitos paises, a buscar os padrões de vida da Europa ocidental e dos Estados Unidos. Principal destino dos imigrantes, verdadeiras massas, oriundos da quase toda África, parte da Ásia (Turquia) e também de países sul-americanos.
Esta nova perspectiva se insere no contexto de “dois tipos de cidadãos”, um cuja cidadania goza de plenos direitos, possui tempo e espaço suficiente para exercer de forma plena e legal seu direito de ir e vir, estar e não estar, comprar, trocar, voltar e viajar. Este não conhece barreiras, possui passaporte aceito em qualquer nação e não precisa de visto para ir onde quiser. O outro cidadão, não goza dos mesmos benefícios, não é visto como cidadão, assim não tem os mesmos direitos, seu movimento encontra barreiras, mesmo em sua terra natal, motivo de sua migração, ou seja, “a corrida atrás do capital”. Assim, são trabalhadores volantes internacionais. Estes não “consomem” paisagem, como o “cidadão privilegiado”, está em busca de trabalho, muitas vezes clandestinamente (ilegal). Sobrevive com muita dificuldade, acolhido muitas vezes pelas comunidades de migrantes locais ou serviços de religiosos que atuam em pastorais pela causa do imigrante.
No entanto, em ambos os casos podemos, não só encontrar diferenças, como podemos, de forma simplificada, encontrar semelhanças em suas demandas e necessidades. Na sua essência são consumidores, guardadas, é claro, suas proporções. Uma vez que a palavra consumidor significa pertencer a uma sociedade, na qual o consumo vem em primeiro lugar do que ser/pertencer, logo, o verbo ser neste contexto, não possui nenhuma importância, a ação é consumir.
Neste contexto, BAUMAN (1999) dissertando sobre a lógica do consumidor dentro da sociedade de consumo, esclarece que:

“estar em movimento – procurar, buscar, não encontrar ou, mais precisamente, não encontrar ainda – não é sinônimo de mal-estar, mas promessa de bem aventurança, talvez a própria bem-aventurança. Seu tipo de viagem esperançosa faz da chegada uma maldição.”

Este fragmento tem o intuito de explicar que o consumidor é movido pela chama do que podemos chamar “do por enquanto”, buscando o eterno, o gerúndio, onde a linha de chegada não é mais importante, é sim o sinal de fim. Tudo para o consumidor da sociedade de consumo possui um alto grau de insatisfação, onde todas as coisas que querem possuir são coisas rápidas e fugazes, como um tênis que rapidamente sai da moda, ou o carro do ano, que é feito um ano antes etc.
No trecho a seguir BAUMAN menciona:

“Não tanto a avidez de adquirir, de possuir, não o acumulo de riquezas no seu sentido material, papável, mas a excitação de uma sensação nova, ainda não experimentada – este é o jogo do consumidor. Os consumidores são e acima de tudo acumuladores de sensações; são colecionadores de coisas apenas no sentido secundário e derivativo.”

Dentro dessa perspectiva todo mundo de certa forma pode se inserir na moda do consumo; todo mundo pode desejar ser um consumidor e aproveitar esse modo de vida. Uma prova disso são os imigrantes, onde nos países de destinos (caso da França e, recentemente, dos EUA), esses movimentos têm a intenção de permanecerem inseridos dentro do mercado. Eles não lutam contra as leis do mercado, pretendem estar de alguma forma dentro do mundo do consumo e ter um padrão de vida semelhante aos nascidos nestes paises.
Por fim, vivemos num mundo de aparências onde a estratificação da sociedade produz cidadãos de segunda classe.

Fatores atrativos e/ou repulsivos das migrações
Econômicas
- provavelmente deverá ser a causa fundamental que leva as pessoas a migrarem. Quase sempre resultante das diferenças de desenvolvimento socioeconômico entre países ou entre regiões. Nestes casos, os indivíduos migram porque querem assegurar em outros locais um melhor nível de vida, onde os salários são mais elevados, as condições de trabalho menos pesadas, onde a assistência social é mais eficaz, enfim, vão para onde pensam encontrar uma vida mais agradável. O que, diga-se de passagem, nem sempre acontece.

Naturais
- em geral, este fator de migrações, leva a que sejam migrações forçadas, pois devido a causas naturais (cheias, terremotos, secas, vulcões...) a vida e a sobrevivência das pessoas fica em risco, encontrado-se, assim, forçadas a abandonar os seus locais de residência.

Turísticas
- são as que são efetuadas pela, em determinadas épocas (ou estações) do ano, configurando uma forma de migração sazonal.

Laborais
- são as migrações que se efetuam por motivos profissionais. Podem, também, serem sazonais e, de um modo geral, são temporárias.
Por exemplo, os docentes e pesquisadores (cientistas, professores universitários, etc) que, na sua maioria, são deslocados (involuntariamente ou não) para escolas diferentes e, por vezes, longe das suas residências.

Políticas
- são migrações que devido a mudanças nos governos de países, alguns habitantes se vêem forçados a saírem desse país.
Por exemplo, quando se deu à descolonização e independência de alguns países africanos, muitos dos seus habitantes tiveram de migrar para outros países; como os portugueses em Angola, Moçambique, Guiné, e, também, com franceses no Marrocos, Argélia, Indochina, e com os ingleses na ex-Rodésia, etc...

Étnicas
- esta palavra, muitas vezes confundida com racismo, tem mais a ver com diferenças entre culturas e povos, podendo ou não ser da mesma raça.
Por exemplo, na II Guerra Mundial, o holocausto na Alemanha onde o povo judeu constituía um povo inferior, contudo, eles eram ambos alemães e judeus de raça branca. Também recentemente, na ex-Iugoslávia, com o genocídio praticado pelo governo de Slobodan Milisevik (de etnia eslava/ de nacionalidade servia) em relação ao povo albanês, localizados no território do Kosovo.

Religiosos
- há muitas migrações de motivação religiosa, em direção a uma determinada cidade sagrada ou centro de fé.
Por exemplo, podemos citar as peregrinações a Fátima, Santiago de Compostela (Espanha), Lourdes (França), Meca (Arábia), entre muitos outros. A título de curiosidade, a religião muçulmana obriga cada um dos seus crentes a deslocarem-se pelo menos uma vez na vida, a Meca, ao túmulo do profeta Maomé.

Referências Bibliográficas para consulta:

- BAUMAN, Zygmunt. Turistas e vagabundos. In Globalização: as conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 1999.

- O circulo do Geógrafo. Disponível em http://clientes.netvisao.pt/carlhenr/9ano4.htm. Acesso em 23 junho de 2007
- PEREIRA, Diamantino Alves Corrêa. Geografia: Ciência do Espaço: O Espaço Mundial, São Paulo, १९९३
अनेक्सो

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A abrangência dos serviços especializados no bairro de Botafogo

Introdução
Nos dias de hoje, Botafogo é um dos mais importantes centros de serviços da Zona Sul, principalmente para os bairros vizinhos Humaitá e Urca, de padrão mais residencial. Na Rua Voluntários da Pátria e suas imediações se localiza o principal centro comercial do bairro, com inúmeras lojas, agências bancárias, edifícios comerciais e sedes/escritórios de grandes empresas, como Furnas, Prudential e Claro. Outras empresas estão instaladas nos centros empresariais da Praia de Botafogo e na Torre Rio Sul. A grande presença de escolas tradicionais, clínicas e hospitais particulares faz com que o bairro seja um dos principais pólos de saúde e educação da cidade.
Objetivos
O objetivo deste eixo de análise consiste em estudar o bairro de Botafogo na esfera dos serviços em seus logradouros, abrangendo 25 anos (1982-2007) e registrando no espaço e no tempo os serviços especializados। Cabe Verificar os serviços especializados no quadrilátero entre as ruas São Clemente, Voluntários da Pátria, e da Praia de Botafogo. A área, tem sido palco de inúmeros lançamentos imobiliários nos últimos anos, o que revela o dinamismo do espaço residencial de elevado padrão. Em contrapartida, a presença da favela Dona Marta na área evidencia um contraste social, semelhante ao que acontece também na Praia de Botafogo, dividida entre shoppings, centros empresariais e alguns edifícios residenciais de baixo padrão, sendo o Edifício Rajah o mais famoso deles.

Metodologia

Para alcançar os objetivos deste plano de trabalho, percorremos textos de diferentes autores que tratam dos assuntos em questão para dar embasamento teórico à pesquisa. Com relação ao comércio e aos serviços, esse trabalho foi realizado para os anos de 1982, 1996 e 2007, utilizando como principal fonte o Instituto Pereira Passos e a consulta aos catálogos de endereços comerciais da antiga Telerj, atual Telemar, na Praia de Botafogo, Voluntários da Pátria e São Clemente encerrando o quadrilátero dos serviços. Para fins de mapeamento e localização das firmas, foi consultado o guia de ruas, a fim de localizar e plotar os pontos nos logradouros supracitados.
A quantificação e localização dos estabelecimentos comerciais e de serviços no logradouro, contribuíram para a organização de um banco de dados relevante sobre a dinâmica espacial dos serviços em Botafogo.

Resultados

Os serviços mais representativos nessa amostra de 25 anos, nas décadas de 1980 e 1990 correspondem a empresas que têm o caráter de complementaridade das atividades com outras empresas. O ano de 2007 evidencia a demanda do bairro e circunvizinhos por esses serviços.
Com relação aos serviços sociais, há a característica de um bairro ainda bastante residencial, fato que influencia na análise de Botafogo. Dentro dessa categoria se sobressaem os serviços de clinicas médicas e de educação. Cabe ressaltar o crescimento do setor de artigos pessoais, revelando nos logradouros de Botafogo um pólo comercial e de serviços, no qual encontra-se desde bancos, lojas e especializações, o que revela a relação entre as qualidades locacionais do bairro e a concentração de atividades terciárias.

Conclusão

O espaço intra-urbano da cidade do Rio de Janeiro necessita de uma discussão mais profunda, acerca do entendimento dessas multiplicidades de áreas centrais e suas funcionalidades. Olhar a cidade é vê-la como sendo um espaço fragmentado e articulado, uma sociedade dividida por classes que ocupam espaços diferenciados, mas interdependentes, alvo de disputa por um ponto privilegiado no espaço intra-urbano.
O caso de Botafogo suscita estudos para melhor entendimento desse fenômeno, exemplificado pelo registro dos serviços ao longo dos 25 anos. O presente trabalho sugere que ocorre uma renovação dos serviços, e que estes modificam a dinâmica interna do bairro, atingindo escalas importantes dentro da cidade, uma vez que configura o bairro como um centro renovado de serviços especializados.

O SEGUNDO REINADO

MODERNIZAÇÃO
A segunda metade do século XIX foi um período de transformações na economia brasileira, acompanhada de outras mudanças políticas e sociais.
O centro econômico do país deslocou-se das antigas áreas agrícolas do nordeste para o centro-sul, em função dos cafezais que se expandiam. A produção cafeeira superou a de todos os demais produtos agrícolas, como açúcar, tabaco, algodão e cacau. Nas fazendas de café de São Paulo, o trabalho escravo foi sendo substituído lentamente pelo trabalho assalariado, com predomínio de imigrantes europeus (italianos, alemães etc.).
Parte do dinheiro obtido com a venda do café foi aplicada na industrialização do Brasil. Surgiram inicialmente indústrias de produtos alimentícios, de vestuário, madeireiras etc.
Nas cidades mais importantes, como Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belém e São Paulo, foram surgindo novos serviços públicos: iluminação das ruas, bondes, ferrovias, bancos, teatros etc.

O CAFÉ
O café foi introduzido no Brasil por volta de 1727, mas, a princípio, era um produto sem grande valor comercial, utilizado como bebida destinada apenas ao consumo local.
Entretanto, a partir do início do século XIX, o hábito de beber café alcançou grande popularidade na Europa e nos Estados Unidos, fazendo crescer o mercado consumidor.
O clima e o tipo de solo de muitas áreas do sudeste brasileiro favoreciam amplamente o desenvolvimento da lavoura cafeeira. A mão-de-obra escrava foi deslocada parcialmente para a cafeicultura.
Com todos esses recursos, o Brasil tornou-se em pouco tempo o principal produtor mundial de café, condição que se manteve de 1830 até o final do século XIX.
Os lucros gerados pela exportação do café possibilitaram a recuperação econômica do Brasil, que tinha suas finanças abaladas desde o período da independência, devido à queda das exportações agrícolas e à dívida externa.

O poder dos cafeicultores

Os cafeicultores tornaram-se o grupo mais rico e influente na sociedade brasileira da época, transferindo o centro do poder político e econômico do nordeste para o sudeste do território.
Inicialmente, o café era cultivado na baixada Fluminense e no Vale do Paraíba (que abrangia áreas das províncias de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo).
A partir de 1870, as fazendas de café expandiram-se para o oeste da província de São Paulo, onde se encontrava um tipo de solo extremamente favorável ao seu desenvolvimento: a terra roxa. Nessa marcha para o oeste, o café destacou-se em várias cidades paulistas, como Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto etc. Nas fazendas cafeeiras, o trabalho do escravo começou a ser substituído pelo trabalho assalariado do imigrante europeu.

Os primeiros imigrantes
O senador paulista Nicolau de Campos Vergueiro foi o primeiro fazendeiro a trazer imigrantes europeus para trabalhar na cafeicultura. Entre os anos de 1847 e 1857, levou para sua fazenda de Ibicaba, no interior de São Paulo, os primeiros grupos de alemães, suíços e belgas.
Os imigrantes foram contratados pelo sistema de parceria: davam ao proprietário da fazenda uma parte da colheita e ficavam com a outra parte. No entanto, eram enganados e explorados pelos fazendeiros, trabalhando de sol a sol e sendo tratados como escravos. Por isso, muitos deles se revoltaram. As conseqüências foram o fracasso do sistema de parceria e o desestímulo à vinda de novos imigrantes.

CRESCIMENTO INDUSTRIAL
As grandes somas de dinheiro resultantes das exportações do café não foram aplicadas apenas na expansão da própria cafeicultura; em certa medida, também financiaram a instalação de indústrias e a modernização de algumas cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro e São Paulo.
Além do dinheiro da cafeicultura, duas importantes medidas favoreceram o crescimento da indústria: a extinção do tráfico negreiro e o aumento das taxas de importação.

Fim do tráfico negreiro internacional
Em 1850, a Lei Eusébio de Queirós extinguiu o comércio internacional de escravos para o Brasil. Embora desde 1831 o tráfico negreiro estivesse proibido, somente depois de quase 20 anos de conflitos essa determinação legal foi acatada. Mesmo com toda a pressão feita pelos governos ingleses, incluindo ameaças militares, havia grande insistência dos traficantes, que, por algum tempo, ainda mantiveram o contrabando de escravos africanos.
Houve também o crescimento do tráfico negreiro interno: escravos de regiões como o nordeste do país eram vendidos para regiões do centro-sul em expansão econômica, como as áreas cafeeiras de São Paulo.
Com a extinção do tráfico negreiro, a grande soma em dinheiro que era investida nessa atividade passou a ser aplicada em outros setores da economia.


Aumento das taxas de importação
Em 1844, o ministro da Fazenda, Manuel Alves Branco, decretou a cobrança de uma nova tarifa alfandegária sobre os produtos importados.
Até então, o imposto sobre os produtos importados era de apenas 15%. Com a tarifa Alves Branco, a maioria dos produtos importados passou a ser tributada em 30%. Mas se fossem fabricados no Brasil produtos semelhantes o imposto chegava a 60%.
Com o aumento das taxas de importação e o fim do tráfico de escravos, começaram a surgir indústrias, bancos, empresas de navegação, ferrovias, companhias de seguro, mineradoras etc.
Na última década do império (1880-1889), o Brasil já contava com 600 indústrias, que empregavam quase 55 mil operários nos setores têxtil, alimentício, madeireiro, metalúrgico e de vestuário.
No entanto, o crescimento industrial e do setor de serviços não foi suficiente para renovar, de modo profundo, a face tradicional da economia, que ainda se apoiava no latifúndio e na agricultura de exportação.
A industrialização desenvolveu-se principalmente na região sudeste.


A Lei de Terras (1850)
No mesmo ano em que, pela Lei Eusébio de Queirós, foi extinto o comércio de escravos africanos para o Brasil, também foi aprovada a Lei de Terras. Essa lei estabelecia que o meio normal de adquirir propriedade da terra era a compra e não a posse (ocupação) da área.
A Lei de Terras contribuiu para preservar o domínio patrimonial dos velhos fazendeiros, impedindo que a propriedade da terra se desconcentrasse – precisamente no momento da transição do trabalho escravo para o trabalho livre.
A respeito dessa lei, comentou o antropólogo Darcy Ribeiro: Se alguém pretendia ser proprietário, tinha de comprar suas terras do Estado ou do particular, que as tivesse por título hábil. É certo que a lei estabelecia uma exceção: a chamada usocapião. Se alguém pudesse provar diante de autoridade competente, que ocupou continuamente, por 10 ou 20 anos, um pedaço de terra, talvez conseguisse que o cartório o registrasse como sua propriedade. Mas (…) quase ninguém do povo adquiria propriedade por essa via. Em conseqüência, as boas terras do país permaneceram concentradas nas mãos dos antigos proprietários, que puderam fazer de seus filhos e netos outros tantos fazendeiros latifundiários. (Darcy Ribeiro. Sobre o óbvio. In: Revista Civilização Brasileira, n. 1, jul. 1978, p. 15-16 – adaptado).



APÊNDICE
O empreendedor visconde de Mauá

Irineu Evangelista de Sousa (1813 – 1889), barão e depois visconde de Mauá, nasceu em Arroio Grande, Rio Grande do Sul. Foi empresário, industrial e deputado diversas vezes, adquirindo tamanho destaque no surto industrial de sua época que por isso costuma-se chamar Era Mauá a esse período do Segundo Reinado.
Além de empreendimentos particulares, Mauá também se associou ao governo na construção de estradas de ferro, de estradas pavimentadas, além da instalação, e, 1874, de um cabo submarino que permitia a comunicação telegráfica direta entre Brasil e Europa.
Entre os inúmeros empreendimentos liderados por ele e cuja área de atuação atingia vários pontos na América e na Europa, vale destacar: Banco Mauá, MacGregor e Cia. e a Casa Mauá e Cia., atuando no Brasil, na Inglaterra, na França, Estados Unidos e nos países platinos; Companhia de Bondes do Jardim Botânico (Rio de Janeiro); Companhia de Gás do Rio de Janeiro; Companhia de Navegação a Vapor do Rio Amazonas; Estrada de Ferro Mauá; Companhia de Rebocadores a Vapor do Rio Grande do Sul.
Entretanto, em 1878, Mauá faliu em virtude da falta de apoio governamental, da continuada concorrência estrangeira e de pressões financeiras nacionais e internacionais.

PERÍODO DEMOCRÁTICO 1945 – 1964

GOVERNO DE JUSCELINO (1956 – 1961)
Modernização e desnacionalização

Completando o período de governo dos substitutos de Vargas, foram realizadas novas eleições presidenciais em 1955. Os vencedores foram Juscelino Kubitschek de Oliveira para presidente e João Goulart para vice-presidente – ambos candidatos pela coligação PTB-PSD, partidos de origem getulista. Mais uma vez, a UDN, adversária do getulismo, foi derrotada.
Inconformados com a derrota, os udenistas tentaram um golpe para impedir a posse de Juscelino e de Goulart. Desenvolveram uma argumentação jurídica, dizendo que os candidatos vitoriosos recebiam apoio do comunismo internacional e não tinham a maioria absoluta dos votos.
Reagindo ao golpe da UDN, as forças do Ministério da Guerra – cujo ministro era o general Henrique Teixeira Lott – desmontaram a conspiração, garantindo a posse de Juscelino. Entretanto, a UDN não desistiu. Preparou um novo golpe, com a ajuda de alguns oficiais da Aeronáutica, que dominaram a cidade de Santarém, no Pará. Mas o movimento foi contido pelo governo e, numa prova de habilidade política, Juscelino anistiou os envolvidos na conspiração.

Desenvolvimento econômico e democracia
O lema do governo Juscelino era fazer o Brasil crescer 50 anos em 5. Sua administração estava baseada no Plano de Metas, um programa que priorizava as obras de infra-estrutura e o estímulo à industrialização. Entre as principais realizações que marcaram esse governo, destacam-se:

· construção de usinas hidrelétricas (Furnas e Três Marias);

· implantação da indústria automobilística, que produziria mais de 300 mil veículos por ano, com 90% das peças fabricadas no Brasil;

· ampliação da produção de petróleo de 2 milhões para 5,4 milhões de barris;

· construção de 20 mil quilômetros de rodovias, entre elas a Belém-Brasília.

Além dessas obras, o governo Juscelino empenhou-se na construção da nova capital do país, Brasília. O plano urbanístico da cidade foi traçado por Lúcio Costa, e os projetos de arquitetura foram coordenados por Oscar Niemeyer. Depois de três anos de obras, Brasília foi inaugurada, em 21 de abril de 1960. milhares de trabalhadores pioneiros, os candangos, esforçaram-se noite e dia para concluir a obra ainda no governo de Juscelino.
O oeste, tal como ocorrera com a região sudeste, passou a ser visto por milhares de brasileiros excluídos economicamente como uma nova “terra prometida”.

Modernidade e desigualdade
O grande número de obras realizadas no governo Juscelino fez-se à custa de empréstimos e investimentos estrangeiros, além do sacrifício dos trabalhadores brasileiros. O governo internacionalizou a economia, aumentou a dívida externa e manteve os salários em níveis baixos. Permitiu que grandes empresas multinacionais instalassem suas filiais no país e controlassem importantes setores industriais, como os de eletrodomésticos, automóveis, tratores, produtos químicos e farmacêuticos e cigarros. Por isso, os nacionalistas diziam que a política econômica de Juscelino tinha a vantagem de ser modernizadora, mas o defeito de ser desnacionalizadora. Tem início, então, um processo que se desenvolve até o presente e que consiste em optar entre o nacionalismo ou a internacionalização da economia.
Os gastos com as grandes obras públicas ajudaram a elevar a inflação, prejudicando os assalariados, que reclamavam aumentos salariais.
Atraídos pelo desenvolvimento industrial, que se concentrava em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, milhões de brasileiros do campo continuavam migrando para as cidades em busca de emprego na indústria ou no setor de serviços. Em 1960, a população urbana brasileira já atingia cerca de 45% da população total do país. No entanto, a maioria, quando chegava às cidades, também encontrava miséria.
Na tentativa de desenvolver a região nordestina, Juscelino criou a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que, ao longo dos anos, obteve poucos resultados efetivos.

Anos dourados: a era do rádio
O governo de Juscelino é freqüentemente associado a grandes obras, como a construção de Brasília, e a um momento de prosperidade nacional que beneficiou sobretudo as elites e as classes médias. Isso podia ser percebido nos hábitos, nas preferências, no modo de pensar e no dia-a-dia das pessoas. O período ficou conhecido, romanticamente, como “anos dourados”.
Nessa época, a televisão dava seus primeiros passos, mas grande parte da população acompanhava os programas radiofônicos. As emissoras de rádio, junto com o teatro de revistas (espetáculo popular que se destacou pela sátira a aspectos da vida política, social e cotidiana. Compunha-se de cenas musicais, coreografias e diálogos) e as chanchadas cinematográficas (filme popular com enredo humorístico), foram os meios de comunicação mais populares do país. A indústria fonográfica e a publicidade estavam ligadas ao rádio, ao teatro de revista e ao cinema.
O rádio difundia informações e sonhos, acompanhando de perto o cotidiano social das grandes cidades. Por meio dele, a nova realidade das capitais era apresentada aos migrantes que vinham do campo e das pequenas cidades do interior. Além de divertir, o rádio funcionava como “escola de sociabilidade” das populações recém-chegadas aos grandes centros urbanos.
A programação das emissoras de rádio era diversificada: orações religiosas, programas humorísticos, musicais, novelas, noticiários etc. Mas o que mais se destacava eram os programas de estúdio com cantores-estrelas, como as irmãs Linda e Dircinha Batista, Marlene, Emilinha Borba, Ângela Maria, Nelson Gonçalves, Nora Ney e Jorge Goulart.
As músicas mais populares dessa época eram as marchinhas e o samba-canção. A maioria dos cantores participava ativamente do carnaval e empenhava-se para que seus sambas e marchinhas fizessem sucesso. Mas havia também outros gêneros musicais: o chorinho, a valsa, o frevo, o baião e o início da bossa-nova. Embora as escolas de samba fossem bastante populares, só mais tarde, impulsionadas pela televisão, foram transformadas em espetáculo de massa.

Democracia liberal
Juscelino realizou um governo que, de modo geral, garantiu aos brasileiros muitas liberdades democráticas. As diversas correntes políticas manifestaram suas idéias, exceto o Partido Comunista, mantido na ilegalidade. Durante o governo Juscelino não houve cidadãos presos por motivos políticos. Ao final do mandato, ocorreram eleições livres, que levaram à presidência da república Jânio da Silva Quadros, candidato eleito pela oposição.

domingo, 17 de agosto de 2008

TUTORIAL PASSO A PASSO.

Professor.LUIZ CARLOS SILVA QUEIROZ
Tema. Biomas do Brasil
Tema especifico. Bioma da Região Centro-Oeste, Cerrado
1- clique no Ícone do Sisplamte na área de trabalho do










2. Na pagina de registro do Sisplamte clique em Não।












३।Na Seqüência clique em कोन्तिनुअर










4। Na área (de trabalho do Sisplamte 5as) clique em elemento।











5। Na seqüência clique em climatológico e selecione massa de ar tropical polar।











Clique em exibir।
Em seguida teremos o elemento Climatológico exposto no mapa
Interagindo com o mapa। Com o mouse, ative a ferramenta REASE II escolher área. Selecione a porção Sul do mapa do Brasil (cinza) ela ira mudar de cor. Como mostra a figura abaixo











Para sabermos o que a ferramenta selecionou, iremos verificar seu atributo, ou seja, que informação tem। Novamente volte a barra de ferramentas na parte superior da área de trabalho do Sisplamte. Agora selecione a ferramenta, Atributo e assim aparecerá uma janela que trás as informações sobre a área selecionada.
Cabe lembrar que a mesma informação pode ser vista clicando na parte selecionada com o botão direito do mouse em atributos।












Exercício proposto vá à ferramenta MEDIC Área e calcule a abrangência dessa massa de ar।
Que estados ela abrange, e qual a medida da área da massa de ar? Ela pode avançar para outros estados?

Depois de ter verificado a massa de ar polar, iremos visualizar outra massa também muito importante para o clima do Brasil. Vamos lá?
Faça o mesmo procedimento para a visualização da massa de ar polar, repita o procedimento para campo climatológico, tema, temperatura do ar, porém no elemento, iremos selecionar a massa de ar equatorial tropical e clique em exibir.

6. Massa de ar equatorial tropical











Esta massa de ar possui algumas características vista em sala de aula, quais são as suas dimensões na porção ocidental do Brasil (repetir procedimento de calculo de área), quais os estados abrangidos?

Cruzamento entre massas de ar.
Na área inicial do Sisplamte, em Processamento, clique no campo Interação।











Clique em Cruzamento






Continue clicando em tempo real.








Em Cruzamento a tempo real, selecione campo Climatológico, tema temperatura do ar, em elementos dê um duplo clique para selecionar massa ar eq। Tropoical e massa ar trop। Polar; nomeie o cruzamento como confronto climatológico em clique em exibir.










Neste campo Iremos cruzar informações no mapa, com esta ferramenta, podemos perceber as massas de ar que atuam no clima do Brasil, e mais do que isso sabendo em que regiões atuam, poderemos entender o clima e todas as atividades que dele se beneficiam।











Alias quais são as principais massas de ar que influenciam o clima no Brasil?
Quais as suas características?
Agora nesta parte estaremos verificando os biomas que compõe o país। Fixaremos-nos no bioma que abrange o cerrado. Assim sabemos que o Bioma não se caracteriza apenas pelo elemento de clima, ele precisa de mais elementos para se constituir. Assim, com o mesmo procedimento que utilizamos para entender a abrangência das massas de ar, faremos o mesmo para o elemento vegetação, vamos lá? Porém para visualizarmos a vegetação ou os tipos de vegetação que compõem nosso foco de pesquisa, iremos apenas utilizar a ferramenta Interação, Cruzamento, Tempo Real; em Cruzamento a Tempo Real, selecionaremos o campo Vegetação, Tema Vegetação Terrestre e clicando duas vezes em: Form. Arb. e Herbáceas, Form. Comp. Litorâneas e Form. Florestais, que irão aparecer no cruzamento em amarelo, nomeie o cruzamento e clique em exibir.











Não se esqueça de fazer as medidas e anota-las para a pesquisa que faremos em nosso projeto sobre o cerrado, pois dele depende nosso acompanhamento desse bioma que este seriamente comprometido.

Nos livros utilizados pela turma em que vimos o bioma do Cerrado, ele praticamente se localizava em que Região? Quais os estados que compões essa região? E que tipo de vegetação podemos classificar (não se esqueça de verificar no mapa).
Por fim iremos construir o mapa de biomas com os elementos Climatológico e Vegetação, Lembre-se a importância desses elementos para as atividades humanas, e que esta etapa apenas está começando para o nosso projeto, iremos nos aprofundar para atualizar as informações aqui contidas, para o nosso projeto de acompanhamento desse bioma, seu uso sustentável e sua preservação.
Agora, iremos cruzar os elementos.
Vamos à tela inicial do Sisplamte, no item Interação, Cruzamento, Tempo Real, Cruzamento a Tempo Real. Vamos selecionar dois elementos, basta clicar no campo Climatológico, depois no campo Vegetação.
Atenção!
Para selecionar os elementos que vamos cruzar, deveremos prestar muita atenção!
Só vamos clicar duas vezes quando selecionar o campo correspondente, quando o item campo estiver selecionado.
Como o exemplo da tela abaixo









Em seguida iremos selecionar o campo Climatológico para inserir os elementos referentes ao campo Temperatura do ar। Como na figura abaixo.












Em seguida, nomeie o Cruzamento para visualizarmos o mapa. Nele faça as correlações entre vegetação e temperatura do ar.
Quais os problemas para caracterizar o cerrado, quanto aos elementos de clima e vegetação?
Se existe correlação entre vegetação e clima, porque temos diferentes tipos de vegetação no mesmo clima?




Obrigado a todos, e nos lembremos, que este é apenas o inicio de uma nova forma de abordar os conhecimentos que iremos ensinar.
Felicidades a तोडोस!

sábado, 16 de agosto de 2008

projeo prático_SigAplEns


NOME: LUIZ CARLOS S. QUEIROZ
PROJETO PRATICO
Questões

a) Qual tema selecionado?
Biomas do Brasil

b) O que é abordado dentro da disciplina que contém o tema selecionado?
O bioma do cerrado e suas transformações.

c) Como é abordado o tópico escolhido? Existem outros itens relacionados dentro da disciplina? Quais?
É apresentado o bioma cerrado e seus elementos apenas de forma descritiva, fazendo relação às atividades do homem, outros itens, é a sustentabilidade, poluição etc.

d) Elabore um pequeno resumo sobre o assunto escolhido com base em, no mínimo, dois livros didáticos.
A compreensão do território nacional ocorre através do conhecimento das regiões que o compõem, assim, é importante entender sua dinâmica e seus elementos constituintes.


e) Vínculos com a temática GIS.

A utilização do geoprocessamento se efetiva para que os alunos em contato com a ferramenta, possam ganhar autonomia para representar o mundo real. Nessa perspectiva a adoção dos recursos matemáticos e informáticos, visa capacitar o olhar do aluno para as questões que perpassam apenas o conhecimento acessório do aprendizado.


f) Aplicações dirigidas versus fixação de conceitos
A aplicação ao longo do projeto visa fixar os conceitos que serão construídos como, diversidade, uso do solo, relação espaço tempo, para compreensão da dinâmica da paisagem, que é modificada pela ação antrópica.

g) Programa/funções, base de dados e descrição das atividades.
Iniciaremos a aplicação com o objetivo de fazer os alunos ganharem autonomia no novo ambiente de estudos, serão orientadas ações com o tutorial passo a passo simplificado. Para tanto serão solicitadas acesso as funções do programa de informações georreferenciadas do Sisplamte, que é um software para tomada de decisões. Estaremos conhecendo e estabelecendo as relações métricas entre os elementos físicos (principalmente o Cerrado, nosso objeto de pesquisa). E posteriormente com novos dados pesquisados, estaremos atualizando o banco de dados do software.

Fusos Horários

O movimento de rotação da Terra, feito de oeste para leste, determina um movimento aparente da abóbada celeste sobre nossas cabeças (no sentido contrário), pois se a terra faz o movimento oeste-leste, logo no referencial que nos encontramos, temos a visão do movimento aparente de nascente (sol) leste e poente (do sol) oeste.
Devido a esse movimento de nosso planeta, todos os meridianos passam pela frente do sol num determinado momento, voltando a fazê-lo somente depois de 24 horas, o que quer dizer que os 360 graus da circunferência da terra passam pela frente do sol em um dia. um pequeno execício nos dará uma melhor compreensão deste raciocício. Se o o dia possui 24 horas e estas correspondem a 360 graus, então 1 hora irá valer 15 graus. Assim cada fuso corresponde a 15 graus ou uma hora delimitada.
Os fusos estão delimitados por linhas cheias (figura 1), tendo no centro os meridianos de 0,15,30,45,60,75,90,105,120,136,150,165 e 180 graus, tanto para oeste como para leste de Greenwich. Portanto cada fuso horário tem um meridiano central, contando com 7 graus e 30 minutos para cada lado deste meridiano.

Cada Fuso é numerado de zero a doz, tanto oeste como para leste. Quanto a numeração dos fusos na maioria das vezes são anexados os sinais "+" e "-" para indicar relação horária com o fuso de Greenwich, sendo que alguns mapas divergem quanto ao hemisfério em que os sinais aparecem(ver ideologia dos mapas), dependendo sempre do ponto de visto do leito de mapas.
Tamando um exemplo os fusos a leste de Greenwich. Quando sinal "+" aparece nestes fusos, significa que as horas são adiantadas em relação a Greenwich. imaginemos que temos 16 horas no fuso de Greenwich. Neste caso , no fuso +5 teremos cinco horas a mais, ou seja, 21 horas. Por outro lado se o sinal "-", significa que a hora em relação a Greenwich está atrasada em relação ao fuso em que estivermos. Seguindo o exemplo anterior, se tivermos 21 horas no fuso -5, vamos ter cinco horas a mais em Greenwich, isto é, 2 horas da manhã de um outro dia.
Outro Detalhe Importante para se entender a questão das horas e datas sobre o globo terrestre é o fato de que sempre será mais tarde em todo o lugar que estiver a leste do outro; e por conseguinte, sempre será mais cedo todo lugar que estiver a oeste de outro.
Quanto as Datas, há algumas considerações a serem feitas, afim de que se entenda como elas estão distribuidas pelo globo terrestre.
  • Há dois pontos estratégicos que delimita as datas: a Linha Internacional de Data eo fuso em que temos meia-noite. Entendamos que Meia Noite é o final de um dia e o começo de outro. Dito isto, ficou convencionado que o dia anterior fica compreendido entre o lado oeste da Linha Internacional de Data (LID) e o fuso que meia noite. Por sua vez, o dia seguinte vai do fuso que é meia-noite até o lado leste da LID.

  • De modo Geral, temos sempre duas datas que abrangem o globo Terrestre, entretanto, há um momento em que todos os fusos do globo são abrangidos por uma só data: é quando temos meio-dia no fuso de Greenwich.

  • Quando a Terra gira o equivalente a 15 graus, o Sol se posiciona um fuso a oeste. Assim, o Sol se deslocando ocorrerá o aumento das horas.

  • Cruzando a LID do Hemisfério Oriental para o Ocidental, passamos para o dia anterior, ou seja, podemos fazer uma viagem hoje e chegar ontem ao nosso destino.

  • Podemos ter horas iguais, como o fuso 12 é dividido pela LID, ficando uma parte em cada hemisfério, pode ocorrer que dois lugares situados no mesmo fuso, tenham a mesma hora só que com datas diferentes.

Um Pequeno Exercicio. Imagine que você vai fazer uma viagem do Rio de Janeiro para a cidade de Los Angeles (EUA), a saída ocorrerá às 22 horas do dia 15 de Agosto de 2008, se a viagem durar 9 horas, que hora e dia local o vajante vai chegar:

Nota: Observe o fuso e a data

(clique na figura para ampliar)

Organizado por Luiz Carlos Queiroz

domingo, 21 de outubro de 2007

Projeto de Monografia

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS
IGEO – DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA
DISCIPLINA. PROJETO DE MONOGRAFIA
PROFESSORA. SUSANA MARA M. PACHECO
ANO. 2007/1

PROJETO DE MONOGRAFIA

A DIMENSÃO ESPACIAL DOS BONDES NA ÁREA CENTRAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

LUIZ CARLOS S. QUEIROZ

Apresentação

As atividades dos bondes ou carris como eram chamadas as companhias, que prestavam serviços de transportes na cidade do Rio de janeiro, remontam a meados do século XVIII, O primeiro bonde do Rio de Janeiro circula, puxado a burro, em 30 de janeiro de 1859, ligando o Largo do Rocio (atual Praça de Tiradentes) a um local perto da atual Usina, na Tijuca, num trajeto de 7 km de comprimento. A partir de então o bonde sofreu transformações importantes no que diz respeito ao modelo e força motriz. Assim, o objetivo consistirá em fazer um histórico do Bonde, periodizando as inovações no campo das técnicas por qual o bonde passou, ganhando alcance espacial e eficiência, modificando de forma plena as relações sociais da cidade.
O recorte temporal, ao qual o ponto de partida se refere ao evento da abertura da Avenida Central (atual Rio Branco). A escolha desse marco está de acordo com o que entendemos como principal acontecimento na escala do município e também no que diz respeito às inovações que se processaram na cidade, dentro do sistema capitalista na sua versão periférica.
O bonde elétrico foi responsável pelo deslocamento dos fluxos na cidade, possibilitou uma nova geografia da percepção no carioca, seguindo transformações sociais que vão ocorrendo pela apreensão dos lugares em que a vida pulsava, graças às inovações técnicas. Em 1905, a companhia The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Limited, canadiana, é autorizada a funcionar na cidade, para produzir energia elétrica gerada por força hídrica, sendo o objetivo promover a iluminação e a produção de eletricidade para fins industriais. Porém, em 1907, alegando a necessidade de eletrificação das linhas, ela estende o seu controle administrativo às principais companhias que operam os bondes no Centro e na Zona Norte da cidade. Esse controle sobre as companhias vai prosseguir até 1928. Passa, então a haver duas companhias a explorarem o sistema de bondes da cidade: a Companhia de Carris do Jardim Botânico, que opera os bondes da Zona Sul, e a Light nas Zonas Centro e Norte.
A iluminação de espaços públicos, sobretudo à noite, os empreendimentos como os cinemas, cafés e mesmo o mundo do trabalho foi à significativa mudança no hábito de vida do carioca, pois a eliminação dos espaços opacos e soturnos trouxe segurança permitindo pulsar à vida também à noite.
No decorrer do século XX, o bonde passou por inovações que buscavam aperfeiçoar o serviço, tais transformações se realizaram do ponto de vista, da fonte energética e modo de operacionalização. Porém, Na segunda metade da década de 40 começa o declínio do sistema de bondes elétricos na cidade: a Light começa a alegar prejuízo no serviço. E, na década seguinte, apesar da população da cidade ter um aumento de cerca de 50%, o número de carros em operação é visivelmente menor.
No ano de 1960 termina a concessão da Cia. Jardim Botânico; o governo do Estado intervém e assume o controle do serviço. Mas, não só não resolve a questão da oferta de bondes à população que deles necessitava para se deslocar, como vem apressar a sua desativação. Estamos na época em que à ideologia do desenvolvimento, propalada pelas pressões dos grupos interessados no aumento do consumo do combustível e no incremento da indústria automobilística, consideram o bonde como um transporte lento, obsoleto - um verdadeiro obstáculo ao progresso - e que rapidamente deve ser substituído por um meio de transporte mais racional, econômico e que desafogue o trânsito da cidade.
Alguma tentativa frustrada se efetivara, mas sem nenhum êxito como a circulação de veículo de tração elétrica, aproveitando alguma da infra-estrutura existente, durante alguns anos circula pela Zona Sul da cidade alguns trolleybus. Contudo a trajetória dos transportes na cidade já estava concedida e os passos para sua substituição se davam de forma gradual com o implemento dos automóveis movidos a matriz energética do petróleo, os ônibus começavam a circular e fazer o papel outrora dos bondes, com menos charme e beleza, inerentes aos bondes, que na memória dos cariocas do tempo do bonde se recordam dos carnavais com muita nostalgia e saudade.

Objetivos

1. Elaborar um histórico dos bondes, a partir das fontes bibliográficas da abertura da Avenida Rio Branco, buscando as transformações técnicas e ideológicas, que fizeram parte dos inicio dos transportes publico na cidade do Rio de Janeiro.

2. Estabelecer periodização das inovações que ocorreram para funcionamento dos bondes a partir de quadro resumo já realizado junto aos periódicos da biblioteca do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.

3. Identificar as áreas da cidade por onde se estendeu a malha de circulação das linhas e seus itinerários, para isso, contará com consulta ao o acervo da Light para nortear o trabalho.
4. Pesquisar as relações sociais que se modificaram com a implementação do transporte na cidade, buscando entender a dinâmica da função central da área central da cidade a partir da geografia dos transportes.

Questionamentos

1. De que forma os bondes, principal meio de transporte coletivo de então (1905 – 1960). Influenciou o papel de centralidade da Avenida Central (atual Rio Branco)?

2. Como se efetuou as inovações técnicas no âmbito dos transportes urbanos (caso do bonde)?

3. Que transformações nas relações sociais na vida da cidade do Rio de Janeiro, se processaram com o avanço dos transportes, em alcance e eficiência. E o papel da avenida como pólo concentrador dos fluxos?

Metodologia

1. Investigação da história dos bondes através das fontes documentais, disponíveis em bibliotecas e arquivos públicos

2. Tratamento estatístico e cartográfico das informações para melhor compreender a dinâmica espacial servido exclusivamente por esse meio de transporte

3. Quadro resumo das principais transformações de ordem das inovações técnicas que se efetivaram na área central que serviram de infra-estrutura para circulação de bondes

4. Trabalho de campo na área central a procura dos vestígios das vias de circulação ou marcas da paisagem que denotam esse tempo em que a circulação no centro se fazia pelos bondes

Bibliografia

ABREU, Maurício A. Evolução Urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, IPLANRIO, 1997.
- Sobre a Memória das Cidades. Revista Território, ano III, n° 4, jan/jun. Rio de Janeiro, LAGET/ UFRJ/ Garamond, 1998.
CATANHEDE, L. Pneu Versus Trilhos. Revista Brasileira de Engenharia. Rio de Janeiro. p. 62. ago.1937
MENDONÇA, Leila Lobo de. Cidade em Movimento – Energia elétrica e meios de Transporte na Cidade do Rio de Janeiro/ Centro de Memória da Eletricidade, RJ: Memória da Eletricidade, 144p, 2001.
DUNLOP, Charles Julius, Os meios de Transporte do Rio Antigo, serviço de documentação, RJ, Centro de Documentação da Light, 96p, 1972.
LACOSTE, Yves, A Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra,
QUEIROZ, L. C. Silva, Relatório de Pesquisa – PIBIC/ UERJ, 2007.
PACHECO, Susana Mara Miranda. O Mundo dos Serviços no Centro do Rio: Avenida Rio Branco e Adjacências. Projeto de Pesquisa. Departamento de Geografia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2003.
SANTOS, Milton. Técnica Espaço Tempo: globalização e meio técnico - cientifico informacional. São Paulo, Hucitec, 1997
- Natureza do Espaço. São Paulo, Hucitec, 1999